segunda-feira, 15 de março de 2010

TENDÊNCIA DE COMPORTAMENTO DE MODA



Se antes o cinema influenciava diretamente no estilo de vestir das pessoas, hoje ele mantém essa "amizade", mas já não goza de tanto poder.
Num artigo do New York Time, reproduzido na Folha de São Paulo, de hoje, RUTH FERLA  aponta que, na atualidade,  quem goza de grande destaque e dita as tendências de comportamento de consumo são os blogs de moda e a TV. Notícia ótima, para nós,  profissionais do setor, que lançamos mão dessa mídia.
Leia a seguir o artigo
"Em épocas passadas, o relacionamento entre cinema e moda era tão estreito que quase chegava a ser incestuoso. Hoje, alguns especialistas acham que o prolongado e lendário caso de amor entre ambos está perdendo força.
Cinema e moda? "Acho que não existe uma conexão", disse Simon Doonan, diretor criativo da Barneys Nova York. Apesar do frenesi cultural que tem envolvido a moda nas últimas décadas, "é raro", disse ele, encontrar moda de verdade no cinema, ou assistir a filmes atuais que "exerçam grande impacto sobre o mundo do estilo".
Uma geração atrás, Doonan teria sido obrigado a reconhecer uma influência tão forte que levava lojistas e confecções de roupas a colocar em produção peças que eram imitações fiéis de criações vistas em filmes.
A garota glamourosa da era da Grande Depressão, representada por Faye Dunaway em "Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas" (1967), desencadeou uma procura enorme por saias justas de comprimento midi, "twin sets" e boinas como as que conferiam uma atração sensual a sua personagem. As roupas masculinizadas de Diane Keaton em "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (1977) levaram multidões de fãs a aderir a tweeds, calças cáqui e chapéus desleixados. Desde o lançamento de "Entre Dois Amores", em 1985, os looks rústicos em tons de marfim e cáqui ostentados por Meryl Streep na savana marcaram presença nas passarelas de Ralph Lauren.
E é bom não esquecermos John Travolta em seu terno branco de discoteca em "Os Embalos de Sábado à Noite" (1977).
Mas, nas décadas de 1960 e 1970, poucas estrelas lançadoras de tendências -atrizes como Audrey Hepburn, Faye Dunaway e Ali MacGraw- eram ídolos do público dos cinemas. "Não tínhamos twitteiros, blogueiros e multidões de celebridades menores que desafiassem as influências delas", disse André Leon Talley, editor-executivo da "Vogue". Hoje, o impacto da estudante sofisticada representada por MacGraw em "Love Story" (1970) provavelmente se perderia no meio da agitação de personalidades bombásticas que ostentam seus guarda-roupas na TV e em blogs populares como The Sartorialist, que tem por hábito ungir jovens urbanóides trajados de maneira esdrúxula como árbitros do bom gosto.
"Hoje, a influência do cinema sobre a moda nunca é muito aparente", disse Doonan. "Você pode até dizer que quer uma jaqueta de couro como a de Marlon Brando em 'O Selvagem' ou o chapéu de lã de Ali Macgraw em 'Love Story'" -filmes que conservam seu impacto emocional sobre os espectadores. "Mas o que esses espectadores guardam na memória com frequência é uma única peça de guarda-roupa, um talismã. É como se ficassem com uma relíquia sagrada na cabeça."
A influência exercida hoje pelo cinema sobre a moda frequentemente é indireta, não mais que uma impressão, uma cor ou um estado de espírito. Em sua coleção para a primavera de 2007, Marc Jacobs reconheceu a influência de "Maria Antonieta" e sua diretora, Sofia Coppola, amiga do estilista. Mas o clima daquela extravagância de figurinos se manifestou apenas em uma paleta de cores e em formas que sugeriam delicadas calçolas da corte e golas de renda.
"Avatar" parece influenciar estilistas como Jen Kao e Jean-Paul Gaultier, que injetou toques de suas imagens de Éden em sua coleção exibida em janeiro.
Em décadas anteriores, a relação simbiótica entre Hollywood e a Sétima Avenida era em grande medida fruto de marketing. As lojas corriam para reproduzir figurinos memoráveis como o vestido de ombros volumosos de Joan Crawford em "Redimida" (1932).
"Antigamente a moda e o cinema se alimentavam um do outro", disse Eugenia Paulicelli, curadora da mostra "Moda + Cinema - Os Anos 1960 Revisitados", recém-iniciada em Nova York.
Na última década, o papel antes incontestado do cinema na moldagem do gosto público foi em parte usurpado pela TV e os palcos de shows. Mas, para alguns, o cinema continua a ser um ponto de referência, por "criar uma intimidade poderosa com o olhar do espectador", disse Paulicelli."

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seja sempre bem vindo ao meu Blog. Muitíssimo obrigado, pela visita simpática!