segunda-feira, 23 de agosto de 2010

EMBRAPA REFORÇA ESTUDO SOBRE ALGODÃO

Empresa já desenvolveu mais de 20 novas variedades e lança mais versões coloridas da pluma

Foto Divulgação
A Embrapa Algodão, uma das unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), tem intensificado suas pesquisas sobre novas técnicas de plantio e o desenvolvimento de variedades de plantas resistentes ao ataque de pragas. A estatal, que tem no algodão um dos seus principais objetos de pesquisa, já desenvolveu mais de 20 novas variedades da pluma.
“Nos últimos três anos, somente no cerrado, foram desenvolvidas três variedades de algodão branco”, diz Carlos Alberto Domingues da Silva, chefe adjunto de pesquisa e desenvolvimento de Inovação da Embrapa. “Damos prioridade para desenvolver fibras que atendam às necessidades da indústria têxtil”. O estudo do algodão envolve diferentes áreas do País, principalmente o cerrado, cuja agricultura é intensamente mecanizada, e semi-árido, em que há um direcionamento para a agricultura familiar.
Além de pesquisar novas culturas, a subdivisão da estatal também se preocupa com a diminuição do uso de inseticidas químicos e o desenvolvimento de uma agricultura “natural”. Existem duas variedades desse tipo de algodão, o orgânico e agroecológico. Suas principais diferenças são as normas de cultivo e os preços no mercado.
No plantio do algodão orgânico é necessário que a propriedade seja certificada, o que torna o produto mais valorizado no mercado. Já o agroecológico é mais barato porque não precisa dessa certificação. “Na realidade, o material é o mesmo, não há distinção nas propriedades físicas. Ambos não usam fertilizantes nem inseticidas químicos em seu plantio”, afirma Napoleão Beltrão, chefe geral da Embrapa Algodão.
Outra maneira de reduzir o uso de inseticidas é por meio de pesquisas com transgênicos. A Embrapa Algodão tem feito estudos para obter culturas resistentes aos herbicidas (produtos químicos utilizados na agricultura para o controle de ervas daninhas), principalmente o mais comum, o glifosato, que mata qualquer tipo de planta. “Já temos 40 linhagens de algodão transgênico sendo utilizadas em plantações, mas ainda há muita demanda”, afirma Beltrão.

Uma variedade colorida

A estatal também tem ampliado a criação de novas versões do algodão naturalmente colorido. O mercado dessas variedades ainda se restringe ao Nordeste do País e a parte da Europa, mas o fato de esse algodão dispensar o tingimento de tecidos o torna atrativo.
Foto Divulgação
BRS Topázio é sensação entre as variedades

A empresa já tinha criado as variedades verde, marrom-terra e marrom-caqui e agora coloca a disposição dos agricultores a BRS Topázio, com a tonalidade marrom mais claro. “Estamos buscando, por meio dos transgênicos, desenvolver outras cores e tornar as variedades mais resistentes aos herbicidas, pragas e a outras doenças”, afirma Silva.
O novo algodão é o resultado do cruzamento entre as cultivares Surogrow 31 e Delta Opal. Sua fibra possui alto rendimento e, quando comparada à BRS Araripe (fibra branca), registra 179 kg de algodão por hectare a mais do que a tradicional. Além disso, também possui 3% a mais de teor de óleo do que as outras variedades coloridas.
Para a criação da BRS Topázio os pesquisadores selecionaram diferentes plantas e fizeram um melhoramento genético. “A nova variedade se mostrou bastante produtiva. Realizamos testes no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Bahia e os resultados foram amplamente satisfatórios”, diz Luiz Paulo de Carvalho, pesquisador da estatal.

Caulim, um inseticida natural

Muitas são as pragas que atacam as plantações de algodão. Entre elas estão o curuquerê, uma lagarta desfolhadora que ataca a planta durante todo seu ciclo, e o bicudo-do-algodoeiro, um besouro que se não for controlado corretamente pode causar perdas de até 70% da produção em função da sua alta capacidade de reprodução e elevado poder destrutivo.
Foto Divulgação
Lavoura de algodão pulverizada com Caulim

A Embrapa Algodão já desenvolveu também seu inseticida natural. Produzido a partir do caulim, um minério argiloso, o novo inseticida é pulverizado na plantação e permanece até a colheita. Quando aplicado, “tinge” as plantas de branco, o que impede o contato visual e tátil da praga, tornando a planta irreconhecível e afastando os insetos. “Já estamos na fase de validação graças aos ótimos resultados obtidos. O inseticida natural não gerou perda de produtividade após sua aplicação, já que não afeta o processo de fotossíntese da planta”, diz Silva.

O mercado algodoeiro

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de algodão em pluma no País foi de 1,17 milhão de toneladas, volume 3,5% menor que o da temporada anterior.

Fonte: IG ECONOMIA

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seja sempre bem vindo ao meu Blog. Muitíssimo obrigado, pela visita simpática!