quarta-feira, 12 de outubro de 2011

MODELAGEM: O INÍCIO DO PROCESSO CRIATIVO

Imagem: Galeria do Google

A moda é dinâmica, está sempre apresentando visuais diferentes, propondo outros novos. Nela, a arte jamais prescinde a técnica.
Estilo e modelagem devem caminhar lado a lado, para que mantenham uma parceria harmônica, que redunde num bom produto. Numa analogia breve, entre a moda e a música, poderíamos afirmar, que o estilo refere-se à sensação, produzida pelas ondas sonoras e a modelagem as notas atacadas pelo músico. Ou seja, em qualquer situação, ambas sempre manterão a dependência direta, uma da outra.
Não por acaso, as escolas de moda têm dado maior destaque à essa questão, no relativo ao aumento da carga horária da disciplina de modelagem, bidimensional e tridimensional, a fim de que o futuro profissional de moda possa ter uma visão mais ampla do desenvolvimento do produto.
Uma indústria de confecção inexiste sem a presença da modelagem, porque é ela que torna concreto o pensamento do criador. Pires (2004) aponta que fazer design é designar aspectos de formas, silhuetas, texturas, cores, materiais, emoções, associando-se a ergonomia na ampliação de benefícios, voltada para a estética, funcionalidade e o conforto. Desse modo, cabe-nos crer, que se a modelagem não cumpre o aspecto, principalmente, do conforto torna-se nula, por mais criativa e fulgural, que possa parecer a peça de vestuário.
James Lanver afirma, que o homem passou a cobrir o corpo, primeiramente, por necessidades físicas, a fim de afastar o frio, para depois pensar na questão estética do indumento (LANVER, 1993).
Ela, também, surgiu bem antes de a moda tornar-se um sistema de ordem própria, com suas metamorfoses incessantes (LIPOVETSKY, 1991).
Sendo assim,. A arte de modelação (ou modelagem) é uma arte de proporcionalidade, deve criar condições, para se executar quaisquer peças do vestuário masculino ou feminino, adulto e infantil.
Além do conhecimento das medidas do corpo, é preciso que o profissional tenha noções de ergonomia, o que lhe permitirá a modelagem de roupas adaptadas à função do público consumidor (BORBAS, M. C.; BRUSCAGIM, R. R., 2007).
É uma profissão extremamente prática, que necessita de grande conhecimento técnico das formas, das medidas e movimentos do corpo humano.
Modelar, pois, consiste na interpretação do modelo sobre a base, ou seja, na concretização das idéias do designer de moda e das informações registradas na ficha técnica do produto (SILVEIRA, 2006 apud BORBAS, M. C.; BRUSCAGIM, R. R., 2007).
O modelista é intérprete de uma linguagem muito especial, [...] O seu objetivo consiste em produzir moldes, que após cortados reproduzam o desenho e estejam de acordo com as medidas (ARAÚJO, 1996).
A Norma Técnica, que regulamenta as medidas padrão, para o traçado do diagrama na indústria brasileira é a NBR 13377 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT e apontam as principais medidas de circunferência do corpo humano, como busto, cintura e quadril. No entanto, como não é obrigatória a sua aplicabilidade, as empresas de confecção desenvolvem as suas próprias tabelas de medidas, baseadas no público alvo, que consome a sua marca.
Há dois tipos de modelagem: a bidimensional ou plana e a tridimensional ou moulage (francês) ou draping (inglês). A primeira é desenvolvida, manualmente, sobre um papel específico ou pelo sistema CAD, que é a forma de construção do diagrama e do molde, através do computador, com os ajustes feitos num corpo de prova, após a execução da peça-piloto. E a tridimensional, que consiste na construção do molde sobre um busto (manequim), masculino ou feminino, com os ajustes e correções prévios, para depois ser transferido, para o papel ou, ainda, digitalizados, para o sistema CAD. Esta técnica, ainda, é pouco utilizada nas confecções de grande produção. É empregada, em sua maioria, nos ateliers de costura sob encomenda, e começou a ser mais difundida nos meios industriais, no final da década de 80 e início dos 90, com o advento das faculdades de moda no país, e a entrada de novos produtos de moda, com a abertura das importações, pelo governo brasileiro. É possível encontrar peças modeladas, sob essa técnica (moulage/draping) em algumas confecções do Bom Retiro e Brás.
Dessa forma, é interessante o estudo desses métodos de modelagem, para que se perceba as interrelações deles com o estilo, no processo criativo de moda, nos diversos segmentos de confecionados. Ação essa, que responderá àlgumas indagações acerca do assunto, fortalecendo a idéia da criação de uma sequência operacional efetiva no desenvolvimento de produto.
Além de estabelecer uma mudança na visão difusa acerca da função, pois ela nunca foi, é ou será um mero coadjuvante dentro desse processo criativo. Antes pelo contrário, assume papel principal, que envolve todos os elos da produção, da concepção à atuação do produto no mercado, porque como dito anteriormente, ele (o produto) só passa a ser real, concreto, quando é passível de execução.
À luz desse pensamento, cabe-nos concluir, que a modelagem assume extremo valor, no antes, no durante e no depois das etapas do produto, lendo e executando as mudanças sazonais, das quais a moda e, consequentemente, a forma sofre a cada nova temporada...

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