sexta-feira, 28 de setembro de 2012

CALÇA JEANS: O PRODUTO PERFEITO

Imagem: Galeria do Google

       

Quando Cristovão Colombo descobriu a América, em 1492, não imaginava que o tecido utilizado para a confecção das velas do Santa Maria, mais tarde se tornaria um produto revolucionário, cuja importância se compararia à invenção da roda ou a descoberta da penicilina e mudaria o modo de vestir de todo o mundo: a calça jeans.
Um tecido duro, firme e áspero utilizado desde a idade média, originalmente conhecido como “sarja de Nimes”, na linguagem corrente tornou-se “denim”. Com o mesmo tecido, no norte da Itália, marinheiros da cidade de Gênova o utilizavam em suas calças, para o trabalho árduo, cuja denominação “genovês” derivou a palavra “jeans”.
Três séculos depois da descoberta de Colombo, em 1853, um imigrante alemão, chamado Levi Strauss criou a calça Five Pockets, para os trabalhadores das minas e cowboys norte-americanos, que procuravam ouro, durante a corrida para o oeste. Ele fez uma experiência e confeccionou algumas peças reforçadas com a lona, que trouxera para serem feitas barracas ou coberturas dos vagões de minério. Por conta da resistência do tecido, as peças não se estragavam com facilidade e duravam muito mais, do que as utilizadas, até então. O sucesso foi imediato.
As complementações foram aparecendo aos poucos. Em 1860, acrescentou-se os botões de metal na vista; por indicação de Jacob Davis, em 1872, os rebites de cobre foram incorporados à peça, aplicados nas bocas dos bolsos; em 1886 a etiqueta de couro foi costurada no cós da calça; em 1890 veio a cor índigo, e em 1910 surgiram os bolsos traseiros.
A partir de então, a calça jeans ganhou status internacional e foi batizada com o nome do seu criador Levi’s, cuja inspiração western e rancheira percorreu todo o mundo.
O jeans, inicialmente, foi associado à figura viril e forte do homem, vestindo cowboys, como tom Mix e John Wayne no cinema, e  por ser o tecido dos uniformes dos soldados americanos, na segunda Guerra Mundial.
No entanto, sua popularidade se deu de forma estrondosa  no pós-guerra, no final dos anos 40 e início dos 50,  por conta da exigência e imposição da juventude americana, que usava as calças, que era de uso profissional e sobretudo de conotação marginal, para afrontar a sociedade conservadora da época. Também brilhou nas telas de cinema, nos corpos dos garotos maus, interpretados por Marlon Brando e James Dean, em “O Selvagem” e “Juventude Transviada”, respectivamente. Além de se apresentar feminina e sensual, vestindo celebridades como Marilyn Monroe e Jean Mansfield.
Não bastasse tamanho sucesso, tornou-se parceiro inseparável do Rock’n’Rol, quando Elvis Presley vestiu-a em Jailhouse Rock, em 1957. Seu uniforme de prisão em denim projetava uma imagem potente e máscula.
No Brasil, a calça jeans apareceu em 1948 quando a Roupas AB lançou a primeira calça de brim azul, a Rancheiro.  A novidade não teve boa aceitação, pois o brim era duro demais e os jovens não possuiam o poder de compra que alcançariam anos mais tarde. Em 1956 a Alpargatas lança a Far West, a calça que anunciava resistir a tudo.
Já consagrado como um traje jovem, o jeans adquiriu nova característica de protesto no final dos anos 60. Com a guerra do Vietnã, jovens contrários a ela e com ideais baseados na paz se disseminaram na América. Os hippies usavam o jeans num visual largado e customizavam as peças artesanalmente,  o que foi logo industrializado.
A Europa, nessa época, sob a influência da febre hippie, com o sucesso das peças criadas em St. Tropez, França,  remodelou o jeans e começou a exportar para América. Marcas como Françoise e Mariethe Girbaud exauriram as possibilidades de criação da calça jeans, desde os modelos pata de elefante à baggy.
Para ser desfilado nas passarelas era só uma questão de tempo. Algo que aconteceu sob indignação dos mais conservadores, na década de 70, pelas mãos do estilista Calvin Klein. Atitude, que foi seguida por outros criadores, e o jeans, definitivamente, se estabelecia como um produto de moda.
Nesse mesmo período, os brasileiros utilizavam a calça jeans somente, para o trabalho.
No entanto, influenciados pelos americanos e, também pelos europeus, os jovens da classe média brasileira, começaram a utilizá-la, também, no lazer.  Influência  essa que se manifestava, pelo desejo de adquirir as famosas calças Lee, o jeans americano, que desbotava e era concorridíssimo.
A Lee, no Brasil,  virou sinônimo de jeans. O que fez a indústria de vestuário  perceber o mercado promissor que estava se formando. Começaram, então,  a serem criadas as primeiras  marcas de jeans com forte apelo de vendas aos jovens.
O milagre econômico e a ditadura política marcam o Brasil na década de 70, o que  levou a uma acelerada transformação no comportamento dos jovens. Conflito de gerações e revolução sexual são tópicos freqüentes nessa época. Fenômeno, que se revelou na roupa.
Qual peça, se não o jeans para manifestar essa libertação? A exemplo dos americanos, no final dos anos 40 e início dos 50, a juventude brasileira passa, também a exigir seu papel na  sociedade.
Em 1972 a primeira calça produzida no Brasil com apelo jovem, a  US Top chega ao mercado brasileiro, como o “verdadeiro” indigo blue, prometendo desbotar tal qual a calça Lee americana. Sucesso imediato entre todas das faixas da juventude. Alguns anos depois, a gigante do jeans Levi’s adapta sua modelagem aos gostos nacionais (calças justas na frente para os homens e atrás para as mulheres). E a Ellus introduz a moda dos stone washed, lavagem com pedras que desbota o tecido e permite diversas tonalidades.
Segundo a professora e historiadora de moda Keila Ferraz várias marcas brasileiras foram pioneiras ao introduzir uma coleção de jeanswear, como Forum, Zomp, entre outras.
Mas a caracterização do jeans brasileiro, como ele é hoje, começa a se formar a partir dos anos 80. O Brasil leva o crédito pela invenção da cintura baixa e pela mistura do Índigo com tactel que deixa a calça 30% mais leve e modelada ao corpo. Sinônimo de sensualidade, o corte mais alto na parte de trás e, rebaixado nas laterais e na frente, dá a impressão de bumbum arrebitado, orgulho nacional e cobiça estrangeira.
Segundo a ABIT - Associação Brasileira das Industrias Têxteis -  a produção de calças jeans gira em torno de 226.700.000 (duzentos e vinte e seis milhões e setecentos mil), e o mercado brasileiro movimenta cerca de R$ 8,2 bilhões por ano. Ainda de acordo com essa organização, o país produz cerca de 25,7 milhões de metros de denim por mês, sendo exportados cerca de 51,4 milhões de metros.
A concentração da produção de calças jeans, ainda está no bairro paulistano do Brás, o maior produtor e exportador de calças jeans da América Latina, segundo a ALOBRAS – Associação dos Lojistas do Brás, com um número aproximado de quatro mil confeccionistas (4.000) e produção de 10 milhões de calças por mês, e 1,2 milhões de calças jeans exportadas para países das Américas do Sul e Norte, e Europa, todo mês.
Há ainda outros pólos produtores de calças jeans no Brasil, como o norte do Paraná, nas cidades de Londrina, Cianorte, Ampère; Agreste Nordestino: Toritama (PE), Aracaju; Goiás; Santa Catarina; Rio Grande do Sul e interior de São Paulo.
O jeans inicialmente foi criado para suprir uma necessidade dos trabalhadores oferecendo uma maior resistência nas vestes para suportar as tarefas desenvolvidas nas minas americanas. A partir daí ele começou a se revelar como um produto prático e confortável, o que lhe permitiu ser alterada sua modelagem.
De caráter democrático, passou a ser usado como arma social em demonstração da busca de identificação dos jovens. Saiu das ruas, aportou nas passarelas de famosos estilistas e tornou-se investimento lucrativo de grandes grupos industriais.
No entanto, a preocupação, do mercado brasileiro é uma só:  trazer às mulheres  novas criações em modelos e modelagens e lembrá-la, que antes de ser uma peça útil para o dia-a-dia ela é, acima de tudo, uma arma de sedução.

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