sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

CALÇA JEANS...NEM TUDO NA MODA É EFEMERO!


Imagem: Galeria do Google

 Afinal, que fascínio é esse, que uma calça jeans exerce nas pessoas? De acordo com CATOIRA (2009:15), o jeans, de um lado seduz pelas fantasias estéticas que propõe. De outro é o próprio elemento comunicação, divulgado e manipulando escolhas individuais.
É o caráter simplista, prático e fundamental, que o jeans tem que o torna atemporal. Ele pode ser absolutamente tudo, pois em sua simplicidade e  em sua integridade, ele menos se insere nos códigos sociais, porque consegue atender a todo tipo de função afirma VINCENT-RICARD (1987:164).
Para BAUDRILLARD (2007:155) o modelo tem direito à duração, à solidez e à lealdade [...] da produção em série, cujo valor está intrinco à capacidade de uso.
A diferença sensível entre o modelo e o objeto de série, é que este se esvai nos altos e baixos dos modismos, enquanto aquele permanece intacto, embora  permita-se ser reproduzido em série, sem perder a sua característica primeira, que é o estilo. Neste caso específico, a calça jeans chegou até os dias atuais, intacta em sua essência,  por permitir que lhe fossem feitas inúmeras interferências, ser reproduzida em série sob diversas leituras, pela efemeridade da moda,  sem, no entanto, perder o seu signo perene, no momento de seu nascimento.
Ela atravessou décadas, adquirindo várias faces, para se firmar como um produto, ao mesmo tempo de massa e de desejo.
Uma coisa é certa, sempre foi fiel às suas origens. No primeiro instante, o de proporcionar conforto aos mineiros americanos do século XIX, depois como objeto congregante no século passado, no que diz respeito à juventude do pós-guerra, que desejava buscar sua própria identidade, e, atualmente, como produto de consumo democrático.
Sua história nasce da necessidade de um jovem imigrante alemão, Levi Strauss, recém chegado, em plena corrida do couro, no continente americano, de aproveitar um tecido duro e pesado, utilizado na produção de barracas ou proteção aos vagões de minérios, que estava encalhado em sua loja. Desse material confeccionou algumas calças e as ofereceu aos trabalhadores das minas. Dada a sua durabilidade, o sucesso foi imediato. Em 1853, nascia a LEVI’S.
Depois de sua invenção, a calça jeans atravessou várias décadas do século XX, adaptando-se às necessidades sociais impostas em cada período. Nas primeiras décadas, serviu a trabalhadores rurais e ao exército americano, em sua totalidade.  A partir da metade do século, serviu de uniforme às aspirações da juventude, atuando em filmes, nas telas e fora delas, nos corpos dos diferentes ícones do cinema assumindo, assim, diferentes papéis. Foi às passeatas e festivais, sendo protagonista da libertação dos costumes, até tornar-se produto de moda, pelas mãos do estilista Calvin Klein, na década de 70, quando finalmente chegou às passarelas.
Percebida, também, pela indústria brasileira, desde 1948, passou quase que invisível, pelas duas décadas seguintes, até ser percebida pela juventude da classe média e, tornar-se, também, aqui, ícone de libertação.
Mas foi no final da década de 80, em diante, no Brasil, que o jeans foi alçado a status de moda. Importante produto, para a economia, que começava a se abrir para o mundo, dada a imposição da abertura para as importações, no governo Collor.
Desse período em diante, a moda tornou-se, efetivamente, negócio no país. Cursos superiores, de graduação e especialização, e técnicos foram criados, profissionalizando o setor. Novas frentes e projetos de fomentos públicos e privados, para potencializar o setor e associações de classes foram formadas.
Atualmente, no país são produzidos cerca de 51, 4 milhões de metros de denim por mês, sendo exportados cerca de 51,4 milhões, colocando o Brasil como terceiro maior produtor do mundo. Concomitantemente, a produção de calças jeans gira em torno de 226.700.000 (duzentos e vinte e seis milhões e setecentos mil), e o mercado movimenta por volta de R$ 8,2 bilhões por ano. Esses são os dados da ABIT – Associação Brasileira das Indústrias Têxteis.
O maior pólo atacadista da América Latina de produção de calças jeans, ainda localiza-se no bairro paulistano do Brás, segundo a ALOBRAS – Associação dos Lojistas do Brás -, com um número aproximado de quatro mil confeccionistas (4.000) e produção de 10 milhões de calças por mês, e 1,2 milhões de calças jeans exportadas para países das Américas do Sul e Norte, e Europa, todo mês.
No entanto, um fenômeno mercadológico vem acontecendo há alguns anos, a pulverização do consumo e a queda do domínio do bairro paulistano, reverberando em outros pólos produtores de calças jeans no Brasil, como o norte do Paraná, Agreste Nordestino, Centro Oeste, Triângulo Mineiro, entre outros. Bom para o consumidor, que pode ter mais opções.  Afinal, num país com dimensões continentais, não há razão de centralizar a produção de um determinado produto em uma única região.
Muitas ações, no segmento, ainda são necessárias. Uma identidade, exclusivamente, brasileira, por exemplo, utilizando-se os recursos naturais e humanos, que o país dispõe, incorporados ao desenvolvimento de produto de jeans, são os reclamos latentes, tanto no relativo ao mercado consumidor, interno e externo, quanto no técnico, no que diz respeito à defasagem de mão-de-obra qualificada, conforme aponta a pesquisa Economia e Cultura de Moda no Brasil,  desenvolvida através de Convênio firmado entre o Ministério da Cultura e a Iniciativa Cultural - Instituto das Indústrias Criativas -, em dezembro de 2011, aqui.
No entanto, a preocupação, do mercado brasileiro, ainda, é uma só:  trazer às mulheres, e aos homens,  novas criações em modelos e modelagens e lembrá-los, que antes de ser uma peça útil para o dia-a-dia, a calça jeans é, acima de tudo, uma arma de sedução.

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